Após os astros no firmamento se retirarem no final da aurora rainha, O astro rei com todo fulgor deu o seu sinal de existência lá no horizonte, Atrás dos morros. No inicio apenas um clarão, depois foi tomando forma até sua plenitude total sua luz radiante já brindava toda natureza que parecia brindar com taça de cristal a alegria de um novo dia. As gotas de orvalho ainda sobre as folhas cintilavam como diamante, encravado em jóias raras adornando a beleza da mulher. Banhava o chão as longas sombras sobre as relvas, pois a tocha divina que ilumina a terra ainda estava em nível do horizonte e apenas pincelava os pontos mais altos.Com sua luz ainda branda, mas era notada a sua pressa, em atingir o Zênite. No céu as aves planam com regozijo repetindo a sinfonia de todos os dias, às vezes alçando vôo das arvores já com seus apetites saciados, parecem privilegiadas de se aproximarem de Deus. A labuta do ser humano sobre o planeta é intensa cada um carregando seu próprio universo pessoal alguns os constróem maior do que podem carregar invadindo a órbita dos outros. E assim nas suas tarefas diárias, pulam dos seus leitos entram nas engrenagens, o café? Estou atrasado e as crianças/ com quem ficam, leva na escola, fica com a vovó. A mãe já foi para suas tarefas ou compromissos. Todos correndo muito, passo a passo comendo chão, subindo escadas atingindo andaimes, lá no alto se agitam bate prego bate tábuas sacode a poeira que voa e cai no chão. Outros nas suas maquinas loucas deslizando no asfalto, buzina na mão sai da frente que lá vou eu, ôba? Ultrapassei mais um. Acelera vida na desvairada corrida do eu chego lá. Máquina dentada, monstro de aço consertando o asfalto comendo o chão. Cheiro de óleo queimado, fumaça no ar ardendo nos olhos à lágrima caindo, correndo na face, lágrima salgada a mesma do sorriso de ontem, desce do carro atravessa a rua esbarra em um desvia de outro, espera no farol ver de longe um conhecido abana a mão, no relógio da praça o ponteiro girando no tic tac as horas devorando o tempo. Parado na banca de jornal olha a manchete ver estampado uma explosão do Homem bomba mandando pró-ar sua frágil matéria, matando inocente e sua própria vingança. Sobe escada aciona o elevado, sobe andar por andar ouvindo historias sorrisos abertos, lamentos profundos, ninguém comenta o céu estrelado da noite passada. Já chegou ao seu andar, cumprimenta colegas, em sua mesa, balcão ou cozinha se é da limpeza pega a vassoura, pois é seu instrumento para ganhar o pão, Olha no relógio pensando na hora do lanche, ou do almoço, não vai à janela desconhece os que trabalham no prédio do lado, no corre corre de sempre lanche ou almoço ainda mastiga na rua. Parece senhor de si, pois pisa no centro de sua sombra indicando que o astro rei está no meio do céu e começa a decida. O tempo abafado termômetro nas alturas, suor na testa passa o lenço, olha para o alto, não viu do outro lado da rua lá nas alturas entre andaimes e concretos.
Pregos e tábuas homens trabalhando. Volta ao trabalho o tempo passa já pensa na hora para casa voltar, o astro rei já irradia uma luz dourada misturada com poeira, às longas sombras de prédios e arvores, já deitam no chão o oposto do amanhecer. Preparando o retorno fecha gavetas, bate porta arrasta cadeiras estica cortinas. Aciona elevador que desce lotado, espera o próximo, desce apertado encostado num canto ouvindo outras histórias e algumas piadas em caras cansadas, olha de lado moça bonita cabelos longos caindo nos ombros, leva bolsa a tiracolo e flores na mão,
Abre as portas do elevador todo correndo para a rua a moça bonita sumiu no meio da multidão. Pessoas correndo lojas fechando o operário da construção descendo correndo pró Ônibus que vai acelerando fumaça voando. O dia passou e na pressa não viu as crianças na praça correndo, comendo pipoca, folhas e pétalas caindo da arvore cobrindo o chão e os pardais pulando e se alimentando ninguém prestou atenção, todos numa desenfreada e louca corrida de volta para casa. Transito infernal, cidadão irritado nem olha de lado, Não choveu, não tem enchente nem transito congestionado. O astro rei já se foi deve estar banhando o outro lado, outras vidas animal e vegetal, nos céu já escuro, coberto com véu de fumaça e poeira impedem que veja estrelas e planetas, diamantes brilhando encravados na imensidão. A terra girou o tempo passou perdeu um quinhão da centelha de vida que lhe é permitido a sua existência. Já em casa cansado janta apressado, para assistir seu programa de televisão, vai para a cama dorme agitado, acorda cedo o mesmo horário de ontem, não canta o galo nem a cotovia.
Mas tem pardal na varanda bicando migalhas. Não vira a pagina, apenas volta ao ponto de partida, numa copia quase fiel do que fez ontem... Tudo repete no mesmo cenário, o mesmo holofote. Atores e figurantes interpretando o espetáculo do cada dia.
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