SONHOS E MIRAGENS
Abaixei minhas cortinas, aquelas que nos separa do mundo
exterior, e com lápis, pinceis e tintas, fui delineando uma paisagem. Iniciando
com uma linda planície coberta por um tapete de vegetações em várias nuanças de
verde e até com algumas pinceladas de pálido amarelo, destacavam se, algumas
arvores de tamanho médio e ate frondosas, algumas floridas e outras já com
destacados frutos que pela cor de cereja a carmim despertava o desejo de
suculento sabor, tudo em movimento suave impulsionado por uma suave e meiga
brisa, parecia haver ritmo e dança.
Uma grande elevação na planície deitava se no meio da
paisagem, onde tudo se refletiam num límpido rio que cortava aquela bela
paisagem parecendo está sobre um espelho.
Esta não era coberta por vegetação e tinha formas de
instrumentos musicais notadamente teclas brancas e pretas que se concluía ser
de piano. Cordas sobre madeiras cor havana e arco suspenso de violino, também
algum intenso brilho que dos metais saia, ramos floridos entrelaçados aos
instrumentos surgiam.
Alguns posavam sobres às teclas, A iluminação era do
entardecer, pois o astro maior já descera para outros reinos. No Céu à cor
alaranjado fundia em leve verde com o azul celeste chegando à suave violácea.
Não tinham músicos, mais no ar plainavam aves de todos os tamanhos, formas e
cores que em vôos rasante tocavam nas teclas às vezes com os pés ou com o bico
e imediatamente lançava vôos ao Céu e outras aves desciam e com suavidade
acariciavam e tocavam nas teclas, e uma doce e embriagante música dominava à
alma, tomava forma fundindo se o som, a cor do Céu e da terra, o movimento da
brisa e das aves que dançavam e plainavam em bela harmonia tudo em cópia do
reflexo nas águas do rio.
Tal espetáculo ainda não havia chegado ao fim, Pois duas
aves de tamanho maior lançaram se as alturas e como se no bico portassem um
giz, riscaram o Céu e um majestoso portão foi formado, uma imagem portava se em
cada lado, tinham asas de grande esplendor em movimentos suaves. Não eram aves
e sim Anjos que confundiam se nos meios das aves, Cada um de lado do portão
desenhado, foram como em passo de mágica abrindo e como uma fina película foi
cedendo e um novo cenário foi tomando contornos, as imagens ali formadas eram
Anjos que em suaves movimentos tocavam nas teclas e cordas, outros instrumentos
de sopro flautas cornetas tudo no ar suspenso, e como explosão do fogo de
artifício em chuva de cores no ar era lançados e na aproximação do campo de
visão os semblantes de alguns anjos eram notados não com tanta clareza, mais
Gandi, Madre Tereza, Irmã Dulce era conhecido. Os sons dos movimentos de asas
douradas e prateadas dos anjos embalavam a divina sinfonia, em sons, cores, e
movimentos, como se de uma sagração as divinas leis do Criador.
De tamanha leveza de incompreensível e divinal beleza para a
mente humana descrever. Novamente duas figuras Angelicais cortaram o Céu e com
as mãos em luz resplandecente riscaram um novo formato de portão e a ansiedades
por tamanha e incompreensível beleza que viria nesta terceira e última paisagem
que concluía se tratar da verdadeira razão e essência divina. O espírito da
matéria em vão tentava do corpo depreender e se juntar aquela embriaguez da
divina obra do Criador. Acordei em prantos e no peito meu coração batia em
ritmo acelerado e então compreendi que aquele divino e último espetáculo estava
alem das limitações de meros mortais.
Henoch 10/10/2014
Comentário. Preciso tratar minha arritmia
cardíaca
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